Sonhei que eu e André estávamos no show do Paul MacCartney só que o palco ficava do outro lado – estávamos justamente no fundo do palco. Fomos caminhando aos trancos e barrancos, passando por entre pessoas, lama, cadeiras, lixos e objetos variados. O percurso. A travessia. Não poderia ser mais fácil? Não, não poderia. Ver o show do fundo pode ser incômodo e menos prazeroso, mas não exige o esforço do caminhar. Fica ali aquele lixo entre você e o palco, mas ok, você ouve a música. Agora, deslocar-se de um lugar a outro implica enfrentar o lamaçal, passar por entre objetos antigos, enferrujados, e ir deixando aquilo tudo para trás, abandonando mesmo. Claro que isso é extremamente difícil, afinal, são coisas que estão ali há muito tempo, que embora te limitem em sua movimentação, te localizam no espaço, desde sempre. Mas agora há coragem e desejo de atravessar. Para onde? Não se sabe exatamente. O palco ainda não foi visto de frente, e está tudo tão escuro. Mas quem já desfilou na Sapucaí sabe o que é sair da rua perpendicular e ver os holofotes, ouvir finalmente o samba enredo que você tanto ensaiou. É maravilhoso.

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4 comentários sobre “The Long and Winding Road

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