Entendo o consultório como um espaço meu. É um dos poucos lugares em que posso falar (de mim) sem ser interrompida – por histórias semelhantes, de vidas alheias, por conselhos ou sugestões. É o único lugar em que tenho uma escuta profissional – pensa que escutar é fácil? E há quem ache ruim o silêncio do psicanalista! Acho uma dádiva. Claro, já tive que preencher muitos silêncios com: “então… Então é isso…” Já senti vazios, confissões, confusões. Já me arrisquei a perguntar: do que eu falo agora? Você concorda? Ela dá um sorrisinho e nada. Ai! E agora? Mesmo assim, a última coisa que eu quero é uma psicóloga que me interrompa com uma opinião que é dela, não minha. Ela faz apenas algumas perguntas, frases, sons. Nessa toada fui falando, me confundindo, me esvaziando, me angustiando, me paralisando, não reconhecendo, chorando, palpitando, sonhando, escrevendo, tremendo e, finalmente, nascendo.

“Esta pesquisa, portanto, tem o objetivo de resgatar as contribuições da psicanálise no estudo de um tema tão antigo e tão atual com o da angústia, fundamentando através da teoria e da clínica como ainda é fecundo o ato de falar. Pedindo ao paciente que associe livremente, provocamos a emergência de equívocos e mal entendidos e escutando o saber que dali advém permitimos que os sintomas que comparecem no corpo sejam “esburacados”, desestabilizados, e a partir daí a angústia pode comparecer sinalizando aquilo que o sujeito tem de mais particular, seu desejo mais puro” (Chediak, 2007: 11).

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