Sabe o que tem sido difícil? Escrever pensando que as pessoas lerão. Não posso falar tanta coisa, afinal, não quero me expor, não quero expor as pessoas próximas. E agora, como escrever sem coragem? A escrita sem coragem é chata e enfadonha, não tem graça, não causa nada. Arrisco-me até a dizer – sem ser escritora – que escrever é surpreender a si mesmo e sempre, sempre ir além. Uma vez um colega meu, há muitos e muitos anos, me fez uma proposta indecorosa: escreva uma cena capaz de me fazer sentir tesão. Nossa, achei um absurdo. Nunca, jamais! Hoje eu entendo o desafio. Ah sim, porque sem quebrar nossos próprios tabus, não há escrita que se preze. Se não houver um desafiar-se, nada sairá. E tem mais: eu gosto de dizeres claros. Insuportáveis são as palavras que quase dizem. E agora, com todo esse ímpeto, qual é o meu problema? Os outros. Eles novamente! Aí entra a bendita psicanálise. De um lado, a minha novidade, a piscina literária, eu dentro dela a flutuar e, de outro, os olhares, as leituras e os desejos alheios. E agora entendo mais uma lição do desafio colocado por meu amigo: provoque. Agora, só não posso me ocupar do que causarei em cada um. Por isso sigo em frente. Não quero ficar fechada num bloquinho de anotações no fundo da gaveta. Assim vou me esquecer de mim!

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2 comentários sobre “Texto para o blog

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