O Desamparo Original

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Nascer é estar fadado ao desamparo. Ele pode ser maior ou menor, mas sempre existe. O que eu não imaginava é que poderíamos carregar essa condição conosco por tanto tempo. A gente cresce, vira adulto, compreendemos nossos pais, suas ausências, falhas, entendemos que eles são humanos imperfeitos, compreendemos, perdoamos. Mas o doido é que o desamparo, o sentimento continua presente, se atualizando nas mais diversas situações. E nos sentimos sós. Sentimo-nos desamparados. Hoje esse buraco é quase concreto para mim. Sou capaz se senti-lo. Sinto também que no lugar desse buraco eu não coloquei nada. Mas em outro lugar eu construí algo novo, que me tornou adulta, que me fez menos adolescente desamparada desesperada. Uma tranquilidade completamente nova. Acho que são os “recursos” que temos que criar. Tem dias que a criança grita. Mas aí eu falo: calma, menina!

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4 comentários sobre “O Desamparo Original

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