Guarda-roupa de portas abertas e eu sentada na frente, com vontade de chorar. Olhando aquelas roupas, que não eram tantas assim, sem saber o que vestir. Tanta preocupação. Tantas vezes me sentindo inadequada antes mesmo de sair de casa. Pensando em desistir. Em jogar tudo fora. Nó na garganta. E não adiantava pensar em comprar. Ter uma graninha e todas as roupas do shopping a disposição nem sem sempre é simples. Quantas vezes voltei frustrada para casa. E olha que sou magra e alta. Putz. Então melhor escolher logo uma camiseta branca. Completamente tensa lá ia eu. Pronto. Hoje: tendo dinheiro na mão faço a festa no shopping em pouquíssimo tempo. Uso praticamente tudo o que compro. Só de olhar já sei se vai servir e combinar comigo. Desisti completamente de algumas lojas. Amo outras. Sei que mais da metade das mercadorias a venda não são para mim. Mas que ainda assim, há muitas outras. Descobri que gosto da moda, mas não de modismos. Descobri que não abro mãe de qualidade, nem de simplicidade. Entro em loja de madame com tranquilidade. Descobri que tenho um gosto superior à minha possiblidade. Mas isso não custa a minha felicidade. Roupa sobrando vai para a caridade, me dá agonia a quantidade. Usar calça jeans está se tornando uma raridade. Uso, sempre que quero, saia e salto, é bom para a minha feminilidade. Não quero parecer hippie, nem rica – até mesmo quando estou em meio a ricas e hippies, barbaridade! Quase sempre me troco em dois minutos, na agilidade. Não tenho certeza se estou mais bonita que antes, talvez seja felicidade. Nem sempre me sinto perfeita, negar isso seria falsidade. Sempre estou precisando de uma coisinha, é bem verdade. Mas hoje me divirto com meu guarda-roupa, e isso não é frivolidade. Não venha me dizer que é a idade. Não acredito que seja a contabilidade. Talvez seja o que chamam de identidade.

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Um comentário sobre “Guarda-roupa

  1. O consumismo dessa época marca a juventude, mas não marca a “identidade” se a escolha é a “humanidade” a “simplicidade”, fugindo da “frivolidade” e “quantidade” chega-se mais facilmente à “felicidade”, que nunca é pela individualidade, mas pela coletividade.

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